
O corpo é a expressão da existência de vida. Através dele celebramos a vida e a existência de vida em nós.
Em contagem decrescente para a celebração da passagem do ano, uma onda de confiança irá percorrer o globo de este para oeste. A expressão corporal é de alegria.
Por convenção, a passagem do ano ocorre 7 dias depois do Natal. Em praticamente todo o mundo, coreografias de cores e sons convidam-nos a olhar o céu nos primeiros minutos do Ano Novo. Com a sensação de conexão e o sentimento de pertença a algo maior podemos ser conduzidos, com os pés sempre na terra, até um lugar que nem é terra nem céu, talvez entre humano e divino.
Nesse lugar, confiamos plenamente em nós próprios, na nossa capacidade para humanizar a vida através da reordenação do pensar, sentir e agir, e partilhamos a convicção de que as experiências e as aprendizagens até agora realizadas permitirão criar realidades mais prósperas.
Mas a prosperidade não é linear. Assim diz o provérbio: não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe. A partir do momento em que compreendemos a verdade contida nele, ele deixa de ser cliché.
E há tanto valor na alegria como na tristeza. Se através desse reconhecimento for possível discernir melhor aquilo que podemos mudar, por nós, pelos nossos e os outros, e esse for o desejo, é bem provável que a reordenação proporcione maior contentamento.
Pássaro de Água, Dezembro 2025.
Imagem: Heber Davis (unsplash). Obrigada.

Por todo o lado há luzes que cintilam, rostos que brilham, sorrisos no olhar. Também há lugares escuros, rostos sombrios, suspiros no ar. Mas não é possível ignorar a luz que realça peculiaridades de lugares seculares. Respiro essa ancestralidade que interliga o presente ao passado com os olhos a olhar (embora sem ver) o futuro… o melhor daquilo que somos e aquilo que podemos ser. Hoje somos a estrela que vemos no topo desses lugares. E esta é a magia do Natal!
Pássaro de Água, Dezembro 2025.
Imagem: MB Louis (unsplash). Obrigada.

O nascimento é o princípio de uma versão que consubstancia a própria vida através da sua vida própria. Já respira essa presença? Sente a sua pulsação?
Pássaro de Água, Dezembro 2025.
Imagem: Kelly Sykkema (unsplash). Obrigada.

O desejo faz parte da vida. Se encontra um lugar para nidificar, com tempo pode preencher-se de alegria e ocupar completamente esse lugar.
Qual é o teu maior desejo? Há espaço para ele? O espaço corresponde à grandeza do desejo?
O desejo pode ser a chave para a alegria. Existindo espaço, a reconstrução que ocorre através dele pode transfigurar o lugar de tal forma que, com o tempo, na realidade aparece uma vida nova na vida do próprio lugar.
Pássaro de Água, Dezembro 2025.
Imagem: Patti Black, Unsplash. Obrigada.
«O coração faz milagres e, se não faz milagres, concebe desejos prodigiosamente extravagantes.» (Camilo Castelo Branco)
Esta frase, presentemente num mural do Porto, encontrou-me. Eu estava sozinha. Oh! Mas ela apareceu acompanhada…
Nesse momento, algo ressou em mim como uma oportunidade única — Contigo neste mundo, a vida é maravilhosa! Contigo, comigo, connosco. Através dessa pulsação que existe em todos nós… Amei.
E como é maravilhoso estarmos aqui, agora! Obrigada, obrigada, obrigada.
O extraordinário pode acontecer em qualquer momento e lugar. Basta estar recetivo e imaginar! E porque não com os pés na terra e a cabeça no ar?
Será possível que um desejo extravagante seja concretizado sem a mais pequena extravagância? Hum… não me parece. Porque não devolver ao desejo alguma extravagância? Pensar o desejo, senti-lo e imaginá-lo… com espontaneidade, o resultado pode ser algo genuíno e memorável, uma autêntica obra de arte. Eu acredito nessa possibilidade! E tu?
Pássaro de Água, Novembro 2025.

Há murmúrios que vêm do mar e lugares amorosos que escutam sem interpelar.
Quantos murmúrios são necesssários para se alcançar o que está perto?
Pássaro de Água, Julho 2025.
Imagem: Pawel Czerwinski (unsplash). Obrigada
Expressões do Imaginário

O Carnaval, fazendo parte do imaginário coletivo, é bem possível que também ressoe, de alguma forma, em cada um de nós.
Por pura diversão, ou não, se tivesse de escolher um disfarce de Carnaval, qual seria? Oh! E imagina o que ele evocaria em si próprio?
A ideia de assumirmos uma personagem que não é habitual pode levar-nos até uma outra, atribuída a William Shakespeare. Não será o mundo um palco e nós os atores, em que cada um no seu tempo representa vários papéis?
O Carnaval ocorre na transição inverno-primavera, praticamente no ínicio do ciclo de renovação da natureza. No cristianismo, antecede o período da quaresma, uma preparação para a Páscoa. Na nossa cultura, curiosamente, o Carnaval assinala a aproximação de um período de profunda transformação quer na dimensão material e corpórea, quer imaterial e espiritual.
Tradicionalmente, a natureza pública das festas aliada a uma comunicação mais expressiva e espontânea do que é habitual, mobiliza inúmeras pessoas que, assim, compartilham o mesmo imaginário coletivo.
Se os símbolos representam uma ponte entre o imaginário coletivo e as vivências individuais, é possível que, durante o período de acontecimentos cíclicos e cheios de simbolismo que se avizinham, o efeito libertador decorrente de uma expressão corporal mais livre e intuitiva propicie a conceção de novas ideias e projetos, renovações ou a construção da próxima personagem.
Seja qual for o ângulo de visão em relação ao Carnaval, há transformações e mudanças que superam o limite da nossa imaginação e esse limite começa por ser tudo aquilo que não nos atrevemos a imaginar. O Carnaval pode ser um excelente pretexto para superar essa aparente limitação. E se não houver Carnaval? Hum, para mim é como se houvesse!
Pássaro de Água, Março 2025.

Se o princípio primordial da vida, qualquer que ele seja, está associado à criação do corpo vivo que tem tanto de sublime como admirável e for chamado o amor, se o pulsar do coração é indissociável da vida e o coração é uma metáfora do amor, na essência somos seres amorosos, amáveis e amados, naturalmente seres que podem amar sem gostar.
Pássaro de Água, Fevereiro 2025.

A presença da ausência…
A presença da ausência convida-nos a dar mais um passo na direção de nós mesmos. Frequentemente, a sensação de incompletude ou desconforto assinalam-na inequivocamente.
E no fundo, não somos muito diferentes. Através da observação e com a entrega plena ao momento, às vezes em silêncio, outras através de ritmos que imprimem no corpo o pulsar do coração, o que ela é realmente revela-se organicamente: uma parte de um todo que em si mesmo é inteiro.
O amor une, em amor ê-se inteiro!
Pássaro de Água, Janeiro 2025.

O que acontece numa realidade bonita com a música certa?
As formas e os ritmos deste mundo combinam-se harmoniosamente produzindo melodias suaves, envolventes e sedutoras.
Pássaro de Água, Janeiro 2025.

Tornamo-nos naquilo que somos e nem sempre somos quem pensamos ser.
Ciclicamente, uma parte de nós que não conhecemos tão bem apresenta-se, solicita permissão para nos reajustar de forma integrada e uma nova versão mais coerente emerge naturalmente para florescer, infinitamente. O sentido da mudança? Oh! Só ao próprio é revelado.
O ritmo e a forma desenrolam a experiência e ela é sempre compartilhada.
Pássaro de Água, Janeiro 2025.